Poliedro entra para grupo de escolas da Unesco



A partir de 2013, o Colégio Poliedro passou a fazer parte do seleto grupo de pouco mais de 200 instituições do projeto Escolas Associadas da Unesco (Pea-Unesco).

Atuar como uma escola associada à Unesco implica desenvolver projetos coerentes com os pressupostos e valores dessa organização, entre eles a cultura da paz, a diversidade e a sustentabilidade. Para enviar a proposta é necessário formalizar um pré-projeto no início do ano e um relatório ao final. Todas as novas adesões são formalizadas em Paris. O projeto que levou o Colégio Poliedro a ser aceito foi desenvolvido pelos alunos do Ensino Fundamental II. Trata-se de um mecanismo que simula o aquecimento solar e a captação de água pluvial. A intenção é levar para regiões carentes da cidade.

“Os princípios e valores da Unesco integram-se aos valores do Colégio Poliedro, que vê a educação como a promoção do desenvolvimento cognitivo sem perder a visão social para as causas prementes da sociedade”, explicou a diretora do Colégio Poliedro, professora Maria do Carmo.

Segundo o coordenador do Ensino Fundamental II, Kadu, participar do Pea-Unesco é estar inserido numa rede de conhecimento e valores. “Significa compartilhar em nível global ações concretas para a promoção da cultura da paz, exercício da cidadania, defesa dos princípios democráticos e difusão da educação e do conhecimento. Significa também o estabelecimento de uma política de responsabilidade social voltada à comunidade, conectando nossa cidade e nossa região com as grandes questões e desafios da humanidade para o século XXI”.

Para Neuza Almeida, coordenadora pedagógica do Colégio e responsável pela administração do processo de entrada do pedido na Unesco, “a partir de agora o Poliedro poderá ampliar ainda mais a proposta pedagógica com foco na construção do conhecimento como instrumento fundamental para o entender e o agir frente aos dilemas contemporâneos que certamente os alunos enfrentarão”.

Entrevista com coordenadora do Projeto

O Departamento de Comunicação do Poliedro entrevistou a coordenadora do projeto, Myriam Tricate.

Poliedro – Atualmente são mais de 200 escolas associadas. São vários os critérios para que uma instituição seja incorporada ao programa, correto? Como vocês definem esses critérios, eles mudam no decorrer dos anos e como a organização faz para comprovar os dados informados pelas escolas?

Myriam – A resposta a essa pergunta exige uma perspectiva diferente. Na verdade, os critérios são poucos e podem ser resumidos a um fundamental: compromisso com os objetivos da Unesco, de quem as escolas associadas são embaixadoras. Do ponto de vista formal, as regras são e permanecem as mesmas: regularmente, as escolas interessadas se inscrevem em uma lista de espera, como candidatas e, durante esse período, devem atuar como uma escola associada à Unesco.

O que isso significa? Atuar como uma escola associada à Unesco implica desenvolver projetos coerentes com os pressupostos dessa organização, ou seja, colocar o trabalho com valores, a cultura de paz, a diversidade, a sustentabilidade no coração do projeto pedagógico. Isso deve ser formalizado em um pré-projeto apresentado no início do ano e em um relatório, ao final. As escolas que não cumprem esses dois procedimentos formais são passíveis de exclusão, após dois anos.

Todas as novas adesões são formalizadas em Paris. Cabe lembrar também que, por motivos estratégicos, a Coordenação Nacional também pode fazer convites a instituições, para expandir a rede em regiões brasileiras em que ela não está representada ou mesmo por reconhecer o trabalho desenvolvido por determinadas instituições educativas.

Poliedro – O índice de “reprovação” de escolas ao programa é muito alto?

Myriam – Não há reprovação. O que existe é um processo saudável de renovação para que as escolas associadas realmente tenham a Unesco como um referencial em seu trabalho cotidiano. A rede brasileira já teve 300 inscritos e estava entre as grandes do mundo. Mas havia um número de escolas pouco atuantes ou que simplesmente não queriam participar mais. Entramos em contato rotineiramente com todas as escolas e convidamos a todas a renovar seu compromisso. As que não o fazem, perdem o direito a continuar no programa. Hoje, temos mais de 200 escolas, mas todas muito atuantes, formando um grupo ativo, com identidade própria.

Poliedro – De que forma é possível mensurar o retorno do programa, tendo em vista que o PEA surgiu para disseminar a cultura da paz na mente do ser humano?

Myriam – O trabalho do PEA é essencialmente educativo e, como todo trabalho educativo, não pode ser medido em termos de mudanças de atitude. As mudanças ocorrem no âmbito de gerações e no complexo conjunto dos valores. Fazemos a nossa parte e nossa percepção é que nosso esforço compensa, e muito. No ano passado, fizemos uma pesquisa inédita (inclusive no âmbito internacional), denominada Identidade PEA, que incluiu questionários para professores, pais e alunos. Os resultados mostram que as escolas associadas são coerentes com os princípios do programa e suas comunidades reconhecem isso. O tema dos valores não é um discurso vazio, mas efetivamente é a base do trabalho que nossas escolas realizam. São escolas harmônicas, com comunidades coesas, preocupadas com o futuro das atuais gerações, conscientes de que o papel da escola não é apenas o de formar bons alunos, mas de preparar cidadãos – cidadãos planetários.

Poliedro – O que significa para uma escola receber esse certificado?

Myriam – Há muitos significados, mas podemos ficar nos dois principais. Em primeiro lugar, receber o certificado de escola associada é um reconhecimento, uma validação para preocupações anteriores da escola.

Ou seja, ninguém muda um projeto de ensino para poder fazer parte do PEA. Uma escola que entra no PEA já tem um histórico de atuação no campo dos valores universais preconizados pela Unesco. Mas há outro que vem sendo cada vez mais valorizado, inclusive dentro da renovação atual do Programa, em nível mundial. Ser uma escola associada significa fazer parte de uma rede planetária, de uma comunidade internacional de escolas, educadores, alunos e pais atentos a questões centrais da existência e da sobrevivência humana digna na Terra.

Poliedro – De quais formas esse programa reflete para os alunos e professores de uma escola e para a comunidade em geral?

Myriam – Evidentemente, participar do programa das Escolas Associadas catalisa as ações educativas voltadas ao campo dos valores, tornando-as mais visíveis e consistentes para a comunidade. Novamente citando a pesquisa anterior, os dados mostram que os pais reconhecem que seus filhos estudam em ambientes saudáveis, preocupados com a formação de atitudes e valores e com uma agenda de trabalho pedagógico em que qualidade de ensino e qualidade da formação humana caminham juntas.