Entrevista sobre o Ensino Fundamental II



Muitas pessoas que visitam o Colégio Poliedro, principalmente durante a época de matrículas, costumam fazer perguntas sobre a metodologia utilizada pela escola no Ensino Fundamental II (6º ao 9º ano).

Se fizermos uma breve pesquisa sobre metodologias de ensino, vamos nos deparar com muitas informações sobre diversos métodos propagados atualmente. Veremos também que cada escola adota ou não uma determinada metodologia ou utiliza características da metodologia de ensino escolhida que mais se adequam ao seu modelo educacional.

Dito isso, qual seria o método utilizado pelo Colégio Poliedro? Para responder a essa pergunta e saber mais sobre o trabalho realizado na escola, entrevistamos o coordenador do Ensino Fundamental II Carlos Eduardo Barreira Lambert (Kadu). Leia a seguir.

Qual é a metodologia adotada pelo Colégio Poliedro para o Ensino Fundamental?

Kadu – Se eu fosse resumir em poucas palavras, diria que nossa metodologia tem como base a formação acadêmica, a formação cultural e os valores. Acredito que esse “tripé” é o que fundamenta o nosso trabalho. Quando o assunto é metodologia, muitos ainda “dividem o mundo” entre tradicional e construtivista, mas essa é uma divisão equivocada,

já que construtivismo nunca foi método. Hoje, é até estranho ver uma escola se definir simplesmente como construtivista, pois todo conhecimento se dá de forma construtiva, desde a primeira infância, visto que o homem é um construtor e um produtor de cultura.

É difícil você encontrar, hoje, um educador que não tenha uma visão construtiva do conhecimento. Mesmo em uma escola conservadora, seria difícil encontrar algum educador que não tenha a compreensão de que as inteligências são múltiplas, que o aprendizado no Ensino Fundamental I é diferente [do aprendizado] no Ensino Fundamental II, que é diferente do [aprendizado no] Ensino Médio, na universidade etc. Todos entendem que o educador precisa adequar a linguagem à fase de desenvolvimento. Antigamente, a escola colocava um peso muito grande na memorização, como se ela fosse o principal elemento intelectivo. Hoje, ela é apenas um dos componentes intelectivos – importante, claro, mas precisamos desenvolver outros tipos de capacidades, como a análise e a reflexão.

É claro que toda escola deve ter um método de trabalho, mas não acho correto definir metodologia em duas ou três palavras. Não acho que devemos ter um rótulo. Devemos, sim, ter uma visão e uma perspectiva para estabelecermos objetivos e trabalharmos com as melhores práticas.

Se liga em quem você confia, assista.

O que você considera como o ponto mais importante na formação dos alunos do Ensino Fundamental?

Kadu – Eu diria que é aprender a estudar. O “aprender a aprender”. Esse é um ponto muito falado em pedagogia hoje, pois a informação está disponível em qualquer lugar, mas informação é uma coisa, e conhecimento é outra. Nós acreditamos também no acadêmico e valorizamos o conhecimento sólido. Isso é importante, pois precisamos ter uma cultura acadêmica para saber estudar. Ao chegar à faculdade, o aluno perceberá que o professor universitário é o que menos se preocupa com didática.

Ele dá o caminho das pedras, as melhores indicações, mas é necessário que o aluno já saiba como aprender. Por isso, desde o Ensino Fundamental, o aluno precisa aprender a estudar, pois, assim, ele encontrará o seu melhor método de estudo e, com o hábito de estudar, conseguirá se tornar autônomo.

Como os alunos são avaliados no Colégio Poliedro? Quais os critérios e as formas de avaliação?

Kadu – No Ensino Fundamental, temos um conjunto de avaliações. Não é só o aluno que vai bem na prova que é bem avaliado, tampouco o avaliamos somente por meio de prova, até porque, na vida, não fazemos provas, fazemos projetos. Aqui o aluno também pode construir a nota dele com tarefas e pesquisas bem-feitas, entregando-as com regularidade, assim como pode se dedicar a diversos projetos. Então, a avaliação é bem diversificada, pois essa é uma escola com uma dinâmica muito rica. Temos muitos laboratórios, projetos em todas as disciplinas, tecnologia de ponta nas salas de aula, além de um currículo diversificado com atividades de literatura, arte, educação para a cidadania, filosofia, entre outras. O dia a dia dos alunos aqui não é nada monótono e, talvez, bem diferente do das escolas que os pais frequentaram, em uma época em que os alunos ficavam o tempo todo sentados observando os professores. Independentemente de o aluno ser ou não acima da média, todos se desenvolvem bastante aqui. A gente sabe que cada ser humano é único, cada mente é única, e que o mundo precisa dessa diversidade de habilidades para compor o que podemos chamar de inteligência coletiva, que é, na verdade, a grande inteligência.

É possível desenvolver o lado acadêmico e o humano ao mesmo tempo?

Kadu – Sim, certamente. Até porque a sociedade está diante de uma questão de valores, por isso precisamos falar sobre isso. Nosso país, que tem todo o potencial para crescer, tem hoje um grande desafio em relação à ética, e, aqui, no Poliedro, temos muita preocupação com isso. É por isso que temos disciplinas como Filosofia e Educação para a Cidadania desde o 6º ano. Também nos envolvemos em ações sociais através de projetos como o Ação Jovem ou de parcerias com ONGs e instituições, além de promovermos eventos como o PoliONU e o Fórum Social, importantes para que o aluno adquira conteúdo e desenvolva habilidades como a capacidade de interlocução. Tudo isso é feito para formar alunos e cidadãos em sua completude.

Se liga em quem você confia, assista.

O colégio é reconhecido na região como um dos melhores, principalmente pelo ensino forte e de qualidade. Mas algumas pessoas associam erroneamente o bom desempenho dos alunos à existência de uma rotina exaustiva. Como você avalia essa questão?

Kadu – Nossa escola tem vocação, personalidade e ritmo próprio, mas não é uma escola só para aqueles que querem estudar o tempo todo. É preciso estudar sim, mas não desejamos o exagero – isso não queremos. Até porque seria contraproducente. O que buscamos é extrair o melhor deles, e, paulatinamente, eles terão um nível de comprometimento maior com a escola. Não fazemos provas para apelar para a memória do aluno, e sim para solicitar a análise, a contextualização dos assuntos. Não são provas conteudistas e, por isso, não considero o Poliedro como uma escola tradicional.

O aluno tem que aprender como chegar ao conhecimento. Aprender a pesquisar, a trabalhar em grupo, a organizar suas anotações em sala de aula. Durante o Ensino Fundamental II, um percurso de quatro anos, os alunos podem desenvolver 24 projetos em sua trajetória, em diferentes áreas. Cada disciplina tem sua metodologia, sua visão de mundo, seus conceitos essenciais, seu linguajar próprio, e tudo isso faz parte de uma cultura acadêmica.

Se liga em quem você confia, assista.